O ENIGMA DA INÉRCIA ATUANTE.
Porque assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: em vos converterdes e em sossegardes, está a vossa salvação; na tranqüilidade e na confiança, a vossa força, mas não o quisestes. Isaias 30:15
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Martela, martela, martela…não, esse não é mais un funk da onda, nem um refrão genial de um novo hit sertanejo. É sim, o movimento repetitivo, sincronizado, insistente e massacrante que a mente aflige na alma, sempre que há dor, preocupação, ansiedade ou preocupação.
E o cérebro, esse hardware biológico, sofre constantemente tentando achar uma solução, equacionando a questão, colocando os pingos nos “is”, se martirizando em nome de uma causa que nem é tão nobre assim.
Não raros os casos que resultam em danos permanentes, tanto na alma quanto na estrutura neurológica do corpo humano. O imaterial, irreal, hipotético, lúdico se encarna em forma de doença; e como um azorrague feito de células revoltosas chicoteia impiedosamente a quem antes as chicoteavam.
E as madrugadas passam a passar acordadas, o galo já não mais é capaz de nos alertar o início do dia, o orvalho fresco é nosso copo de água matinal.
E mesmo com todo esforço prestado, a despeito dos sacrifícios e dos ossos do ofício, o problema continua, remansosamente, a fluir nos rios de nossas veias e nos córregos de nossas artérias, irresoluto, soberano, sólido a ponto de se poder tocá-lo.
E Deus dorme, e os anjos se reclinam, os seres viventes se acomodam e se aconchegam, pois, oras bolas, há um humano, sim há um humano disposto a carregar o peso do mundo sobre os ombros, logo, o céu pode relaxar.
O problema se instala, vira crença, que vira neurose, que vira comportamento, que vira vida, que abarrota a existência e nos naufraga em nós mesmos….
Como árvores que deixaram suas cascas grossas demais, nos tornamos intangíveis, inacessíveis e indiferentes, até pelo fato de que: tudo é problema, e a vida passa a ser relida na perspectiva e interpretação do problema.
Até as soluções passam a ser problemas que não deram certo!
E um dia a graça, qual uma flecha perfurante, um motossera dilacerante e uma bomba fulminante, nos fura, corta e arrebenta, com a bestialidade de 1000 big bang´s, e com a delicadeza de 100.000 beija-flores, matando que nos matava e aninhando tudo que em nós é vida.
E um sono, não sei de onde, aparece. Os olhos se convencem que já é hora de se fecharem, os pulmões tecem golfadas de ar mais calmas, profundas e cheias não só de ar, mas de oxigênio, os músculos esquecem a rotina espartana e se deleitam em realizar um movimento quieto, manhoso e cheio de saboros antes esquecidos..é o sono de DEUS, em DEUS, e para DEUS.
Quando então, não mais que de repente, caímos em profundo descanço e DEUS, os anjos e tudo quanto no céus há acordam e começam a trabalhar em nosso favor, e as coisas se resolvem, e as celeumas se pacificam, e os montes são terraplanados, os buracos aterrados, os medos correm de susto, e os antigos condôminos da alma voltam, cada um a seu turno e modo, aos seus antigos albergues situados no coração.
E agente acorda.
E insiste em achar novos problemas para o nosso sono tirar.
Duvidosos de que a graça de DEUS é um ENIGMA DA INÉRCIA ATUANTE.
Que o senhor nos ensine a tabalhar de dia e dormir de noite.